DUMONT-SP / HISTÓRICO DA CIDADE


A cidade tem origem histórica ligada à família de  Henrique Dumont, pai de Alberto Santos Dumont o “Pai da Aviação”.
Em 1879, Henrique Dumont, engenheiro e proprietário de lavouras diversas, adquiriu da família Silva Prado a  Fazenda Arindeúva. Mudou-se com sua esposa Dª Francisca Santos Dumont e sues sete filhos e em dez anos de trabalho ininterrupto, a Fazenda Dumont,que assim passou a chamar-se, tornou-se uma propriedade agrícola modelar.
Henrique Dumont não mediu esforços para desbravar as matas que a fazenda possuía e transformá-la numa grande produção de café.Ele construiu aqui o que chegou a ser a maior propriedade agrícola do Brasil, com cinco milhões de cafeeiros em plena produção,o que lhe valeu o título de “Rei do Café.
Com a ajuda dos colonos, foi idealizando, criando e construindo. Em 1894 na fazenda Dumont já se arava terras com tratores a vapor e se utilizava secadores mecânicos para café. Com espírito de iniciativa e audácia, Henrique Dumont constrói uma estrada de ferro para serviço exclusivo da propriedade,esta percorria os cafezais e levava o produto de exportação para a Estação da Alta Mogiana em Ribeirão Preto, numa extensão de 30 km.
Henrique Dumont,já muito doente, vende a Fazenda à Companhia Melhoramentos do Brasil, entretanto pouco tempo a mantiveram em seu poder.Em 1894,a propriedade foi transferida a um grupo de Capitalista Ingleses, que constituíram a “DUMONT COFFEE COMPANY”. Foi conservado o nome do fundador, não só como justa homenagem, mas também em atenção a projeção que este mantinha nos mercados mundiais do café.
Com o dinheiro deste negócio, Henrique Dumont garantiu ao filho ALBERTO SANTOS DUMONT, os recursos necessários ao financiamento de suas experiências com balões dirigíveis e aeroplanos.
No início da Companhia Agrícola Fazenda Dumont, o braço escravo fazia parte da mão de obra, mas pelo fato do Dr. Henrique não acreditar no braço escravo, estes foram substituídos pelo trabalho livre e remunerado, como dos imigrantes: Italianos, Espanhóis, Alemães, Portugueses, e outros, predominando o imigrante “Italiano”
Estes imigrantes juntaram-se e fizeram sua própria história, são famílias que hoje continuaram trabalhando aqui em prol do desenvolvimento do Município. Isto explica a etnia do povo dumonense formado essencialmente  por descendentes de italianos.
Em 1953,foi criado o Distrito de Dumont, o qual passou a ser Distrito de Ribeirão Preto.
Em 1963,pela Lei nº 8.050,de 31/12/1963, era o então Distrito de Dumont, transformado em Município.
Dumont, hoje tem 12.000 habitantes, sua economia está voltada á cultura da cana-de-açúcar, amendoim e a indústria e comercio dos produtos da suinocultura e industrialização de produtos com amendoim.



#Artigos de Jornais da época e Internet.

Fazenda Dumont



A E. F. Dumont percorria diversas seções da fazenda Dumont com sua linha principal e três ramais, no meio dos cafeeiros. Suprimida em 1940, apenas restam dela hoje três de suas quatro locomotivas a vapor, apodrecendo num armazém em Cajamar, SP.
Foto da revista Brazil Magazine, no. 57, 1911





Jornal "O Estado de S. Paulo", de 22/04/1947, conta a história da na época já desaparecida Fazenda Dumont

*Adquirida por Henrique Santos Dumont no final dos anos 1870, vendida aos ingleses por volta de 1894, a fazenda Dumont desapareceu desde o final dos anos 30, quando foi loteada pelos ingleses depois de várias crises do café. Parte dela transformou-se na área urbana do atual município de Dumont, emancipado em 1963. A ferrovia - o antigo ramal de Dumont, que ligava a estação velha da Mogiana de Ribeirão Preto à fazenda - foi desativada na mesma época, desmonta- da e vendida por peças. A casa da fazenda hoje ainda está em pé, bem como partes da vila ferroviária, mas é claro que muita coisa foi demolida. (Fontes: O Estado de S. Paulo, edição de 22/04/1947; idem, edição de 09/07/2000; revista Brazil Magazine, edição 57, 1911; Impressões do Brasil no século XX, 1913; e o próprio autor).



No mapa de 1956, o já distrito mas ainda não município de Dumont aparecia como parte integrante de Ribeirão Preto. Já nessa época a fazenda era história apenas. Também não existia mais a ferrovia, o "ramal de Dumont", extinto em 1940, e as linhas da Mogiana ainda passavam pelas fazendas próximas.







Acima, secção da fazenda Santa Albertina, que fazia parte da empresa inglesa. Ali também chegava um dos três ramais da E. F. Dumont, como se pela locomotiva na foto. Quando
os ingleses compraram a fazenda Dumont, em 1894, comprou também a Santa Albertina, contígua a esta. Originalmente ela pertencia à família Prado e estes, quando adquiriram a fazenda Guatapará, não muito longa dali, também chamaram a vila de Albertina - Vila Albertina. Por isso, não se deve fazer confusão entre as duas fazendas. Foto da revista
"Brazil Magazine", ed. 57, 1911


Acima, terreiro de secagem na fazenda Dumont, c. 1913. Foto do livro "Impressões do Brasil no Século XX", de 1913





Nesta foto de 2000, extraída da edição de "O Estado de S. Paulo, de 22/04/2000, vê-
se a antiga casa da fazenda Dumont, hoje pertencente à família Lorenzato e supostamente construída ainda pelos Dumont, no século XIX. A reportagem citava que ela contém ainda alguma mobília original e que está necessitando de reparos estruturais, alguns urgentes.
A casa fica fora da cidade, mas bem perto dela e do outro lado do vale.

HISTORICO DA LINHA DE FERRO

A E. F. Dumont, construída pela Mogiana para ser um ramal de bitola de 60 cm, saía de Ribeirão Preto e chegava à fazenda Dumont, de propriedade de Henrique Santos Dumont, a oeste de Ribeirão. O tronco da ferrovia, também chamada de Ramal de Dumont, tinha cerca de 25 km, mas havia também 4 ramais que saíam da linha principal. A Mogiana a vendeu logo após construída para a Fazenda Dumont, que passou a operá-la, inclusive com transporte público de passageiros. Começou a operar em 1890 e foi fechada, com a venda da fazenda e de seus ativos, em 1940, sendo os seus trilhos imediatamente retirados. Por quase todo o seu leito passa hoje a rodovia Ribeirão Preto-Pradópolis. Duas de suas locomotivas (eram 4) foram vendidas à E. F. Perus-Pirapora.


A ESTAÇÃO: A fazenda Dumont, de propriedade de Henrique Santos Dumont, pai de Alberto Santos Dumont, o Pai da Aviação, era, entre 1870 e 1890, uma das maiores fazendas de café do mundo. Em 1890, a Mogiana construiu a linha de Ribeirão Preto à fazenda e imediatamente o vendeu a Henrique, que passou a operá-lo. No ano seguinte, Henrique sofreu um acidente (queda de cavalo), que o levou a, desanimado, vender a fazenda aos ingleses, que fundaram a Dumont Coffee Company, em 1896. Estes passaram a operar também a ferrovia. Com as sucessivas crises do café, a maior delas em 1929, os ingleses venderam e lotearam toda a fazenda, inclusive os trilhos da ferrovia. Segundo se conta, a operação foi intermediada pelo Governo do Estado e não teria sido muito lícita. Além disso, segundo alguns, o acordo de venda previa que a linha principal da ferrovia deveria continuar operando para o transporte de passageiros desde Ribeirão, fato que não aconteceu, tendo sido os trilhos retirados logo em seguida (1940). Isto deixou no desemprego vários funcionários da ferrovia, que passaram a ter de trabalhar como lavradores para sobreviver. Em poucos anos a fazenda loteada se transformou numa pequena cidade, que se emancipou como município em 1953. Hoje restam a casa da fazenda e mais algumas casas, espalhadas pela cidade, principal-mente em sua parte baixa. A estação de Dumont ficava junto com as casas dos funcionários e do telégrafo, na fazenda Dumont. Hoje este conjunto fica a cerca de um quarteirão da praça central da cidade, e numa das casas funciona o cartório. A plataforma de embarque e sua cobertura, que ficavam ao longo das casas, já não mais existem. Sobraram também as memórias de Ângelo Lorenzato, italiano de 93 anos (em 2001), morador da cidade que é aparente-mente o último funcionário vivo da ferrovia, tendo sido um de seus maquinistas. Graças a ele, grande parte da história da ferrovia Dumont pôde ser levantada.




Provavelmente a estação de Dumont, no início do século, onde, ou perto de onde, existem hoje a fileira de casas da foto seguinte, só que olhado no sentido de Ribeirão Preto.
Acervo Julio Cesar de Paiva



A estação de Dumont era aqui. Em frente a essa fileira de casas, sendo que a primeira à esquerda era a casa do telégrafo, ficava a plataforma de embarque. Foto Ralph M. Giesbrecht em 25/09/2001


Armazém da ferrovia em Dumont, um pouco antes da chegada à plataforma de passageiros. Foto Ralph M. Giesbrecht em 25/08/2001


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